Open Letter to the Somalia National Pavilion Organizers and the Three Exhibiting Artists

Find Portuguese version below/ Veja a versão em português abaixo

 

 

“Gudineey imaadan goyseen haddii uusan gabalkey kugu jirin.” – Maahmaah (Somali Proverb)

The axe could not fell the tree if its handle was not whittled from her. This poetic proverb captures the critiques surrounding SADDAXLEY, the Somalia Pavilion at the Venice Biennale, and its administrators’ subsequent threats, intimidation tactics, and smear campaign against artists and cultural workers in the Somali regions.

In late March, various arts workers made private attempts to protest the announcement that Fabio Scrivanti, a white Italian man, would be co-curating the Somalia Pavilion at the Venice Biennale. Additionally, that in their representation of Somali dhaqan (culture) and fan (art), not a single artist or cultural worker in Somali regions (or who had developed local artistic practices) was asked to participate. Organizers ignored private requests for discussion and explanation. On 9th April, Warbixinta Cidda (a Somali queer mutual aid and arts collective) was then pushed to go public with their questions and demands: Why is an Italian curating an exhibition on our culture and oral tradition, and why was this role not helmed by one of our own? Why are artists working at home excluded from the pavilion?

Instead of engaging with their critique, pavilion organizers tried to demonize Warbixinta Cidda because it’s a queer collective, thereby reinforcing and reproducing colonial violence.

Separately from our statement, an alliance of artists based in the Somali regions, including cultural workers and independent arts institutions, released a powerful statement criticizing the Somalia Pavilion. These organizations include: Somalia Art Foundation (SAF), Shineemo Banaadir, Arlo Artspace, and Biciid Center for Culture and Nature.

On 18th April, SAF shared in a follow-up statement that local artists have been faced with “intimidation, coercive pressure and scare tactics” and “pressured to retract the statement and issue an official apology” by those organizing the Somalia Pavilion.

We reject recording our history from an arbitrary Western counter, and uplift all the Somali artists and scholars who were derailed, robbed, banned, and mislabeled to uphold anti-Black fantasies of our inferiority. We recognize the murdered, exiled, and resettled artists whose practices were destroyed by occupation, war, capitalism, corruption, lack of transparency and internal devastations.

We also echo the critiques brought by artists of conscience against the Venice Biennale director, Pietrangelo Buttafuoco, and its administration in erasing Palestine, normalizing genocide, violating Koyo Kouoh’s curatorial vision by relocating the Israeli pavilion, and for their abhorrent treatment of South African artist Gabrielle Goliath.

It is the moral duty of the artist not to stay silent. We must divest our attention away from elitist institutions that are predicated on extractive and exclusionary practices. We must conceive of different forms of world-building, and cultural production not limited to the Venice Biennale.

The undersigned arts workers demand:

  1. That the Somalia Pavilion’s organizing team publicly respond to the critiques and allegations shared by Somali artists and arts organizations at home and in the diaspora. The members of the organizing team include: curator Mohamed Mire, Commissioner Abdirahman Yusuf as well as the cultural advisors Warsame Shiidle, Ibrahim Hirsi, and Abdullahi Abshir.
  2. The removal of Fabio Scrivanti as a co-curator.
  3. For the Somalia Pavilion’s organizing team and their affiliates to cease all “threats and pressure being applied to those who spoke out”, as mentioned in this article.
  4. For the Somalia Pavilion and their affiliates to stop vilifying Warbixinta Cidda, and using anti-LGBT rhetoric to discredit its valid protest.
  5. That exhibiting artists Warsan Shire, Ayan Farah, and Asmaa Jama address concerns and critiques publicly, and to clarify to what degree they were aware of the Somalia Pavilion’s organizers and affiliates’ alleged conduct.

If these demands are not met, we call for a boycott of the Somalia Pavilion, and for arts workers to divest their intellect, presence, and labor from future activities, programming, sponsorship, or other associations.

We invite not only Somali artists but all Black people of conscience, and Black-led arts and/or cultural organizations, especially those in the diaspora, to sign and distribute this letter.

Click here to sign

Carta Aberta aos Organizadores do Pavilhão Nacional da Somália e aos Três Artistas Expositores

“Gudineey imaadan goyseen haddii uusan gabalkey kugu jirin.” – Maahmaah (provérbio somali)

“O machado não poderia derrubar a árvore se seu cabo não fosse talhado a partir dela.”

 Esse provérbio poético captura as críticas em torno do SADDAXLEY, o Pavilhão da Somália na Bienal de Veneza, e as subsequentes ameaças, táticas de intimidação e campanha de difamação promovidas por seus administradores contra artistas e trabalhadores culturais das regiões somalis.

No final de março, diversos trabalhadores das artes fizeram tentativas privadas de protestar contra o anúncio de que Fabio Scrivanti, um homem italiano branco, seria co-curador do Pavilhão da Somália na Bienal de Veneza. Além disso, na representação de dhaqan (cultura) e fan (arte) somali, nenhum artista ou trabalhador cultural das regiões somalis (ou que tivesse desenvolvido práticas artísticas locais) foi convidado a participar. Os organizadores ignoraram os pedidos privados por diálogo e explicação. Em 9 de abril, o coletivo Warbixinta Cidda (um coletivo queer somali de ajuda mútua e artes) foi então levado a tornar públicas suas perguntas e demandas: por que um italiano está curando uma exposição sobre nossa cultura e tradição oral, e por que esse papel não foi assumido por alguém de nosso próprio povo? Por que artistas que trabalham em seus territórios estão excluídos do pavilhão?

Em vez de dialogar com as críticas, os organizadores do pavilhão tentaram demonizar o Warbixinta Cidda por ser um coletivo queer, reforçando e reproduzindo assim a violência colonial.

Separadamente da nossa declaração, uma aliança de artistas baseada nas regiões somalis, incluindo trabalhadores culturais e instituições artísticas independentes, divulgou uma forte declaração criticando o Pavilhão da Somália. Essas organizações incluem: Somalia Art Foundation (SAF), Shineemo Banaadir, Arlo Artspace e Biciid Center for Culture and Nature.

Em 18 de abril, a SAF compartilhou em uma declaração complementar que artistas locais têm enfrentado “intimidação, pressão coercitiva e táticas de medo” e foram “pressionados a retirar a declaração e emitir um pedido oficial de desculpas” por aqueles que organizam o Pavilhão da Somália.

Rejeitamos registrar nossa história a partir de um ponto de vista ocidental arbitrário, e valorizamos todos os artistas e estudiosos somalis que foram desviados, roubados, banidos e rotulados de forma equivocada para sustentar fantasias anti-negras sobre nossa inferioridade. Reconhecemos os artistas assassinados, exilados e deslocados cujas práticas foram destruídas pela ocupação, pela guerra, pelo capitalismo, pela corrupção, pela falta de transparência e por devastações internas.

Também ecoamos as críticas levantadas por artistas comprometidos contra o diretor da Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, e sua administração, por apagarem a Palestina, normalizarem o genocídio, violarem a visão curatorial de Koyo Kouoh ao realocar o pavilhão israelense, e pelo tratamento abominável dado à artista sul-africana Gabrielle Goliath.

É dever moral do artista não permanecer em silêncio. Devemos tirar nossa atenção de instituições elitistas que se baseiam em práticas extrativistas e excludentes. Precisamos conceber outras formas de construção de mundo e de produção cultural que não se limitem à Bienal de Veneza.

Os trabalhadores das artes abaixo assinados exigem:

  1. Que a equipe organizadora do Pavilhão da Somália responda publicamente às críticas e alegações apresentadas por artistas e organizações artísticas somalis, tanto no território quanto na diáspora. Os membros da equipe organizadora incluem: o curador Mohamed Mire, o comissário Abdirahman Yusuf, bem como os conselheiros culturais Warsame Shiidle, Ibrahim Hirsi e Abdullahi Abshir.
  2. A remoção de Fabio Scrivanti como co-curador.
  3. Que a equipe organizadora do Pavilhão da Somália e seus afiliados cessem todas as “ameaças e pressões aplicadas àqueles que se manifestaram”, conforme mencionado no artigo.
  4. Que o Pavilhão da Somália e seus afiliados parem de difamar o Warbixinta Cidda e de usar retórica anti-LGBT para desacreditar seu protesto legítimo.
  5. Que os artistas expositores Warsan Shire, Ayan Farah e Asmaa Jama abordem publicamente as preocupações e críticas, e esclareçam em que medida tinham conhecimento das condutas alegadas dos organizadores e afiliados do Pavilhão da Somália.

Caso essas demandas não sejam atendidas, convocamos um boicote ao Pavilhão da Somália e pedimos que trabalhadores das artes retirem seu intelecto, presença e trabalho de futuras atividades, programações, patrocínios ou quaisquer outras associações.

Convidamos não apenas artistas somalis, mas todas as pessoas negras comprometidas com a justiça, bem como organizações artísticas e/ou culturais lideradas por pessoas negras  especialmente aquelas na diáspora, a assinar e divulgar esta carta.

Se você é artista preta/preto da diáspora brasileira e gostaria de contribuir com a causa, 

Clique aqui

 

Signitories 

Aaliyah Shayna, Lisbon, Portugal Abdi Osman, Buffalo, NY
Abdihakan Khadra, Mogadishu Abdourahman Waberi, Washington DC
Afu-Sensi!, Amsterdam Abeni Asante
ADK Egall Akin Luz, Salvador Bahia
Alexander Ghedi Weheliye, United States Albert
Amal Alhaag Amina Ross, Brooklyn, NY
Anisa Nuh-Ali, UK AnK, Berlin
Arakaza, Amsterdam Asha Ali, Exeter
Ashley J May, Los Ángeles Asiya, Seattle, WA
Azânia Mahin Romão Nogueira, Brasil Bilan, London
Booscapes, Minneapolis brujxworld, lenape hoking aka new york city
Caio, Teresópolis Chad Stanton, Washington, DC
Chanda Prescod-Weinstein Christina Sharpe, Canada
Crystal T, USA Dash Harris, Panama
Dionne Brand, Canada Donika Kelly, Iowa, USA
Dorneka Ward, Doncaster Edvânio Ramos Belmont, Bahia, Brasil
Emad Hamza, Egypt Erri, Amsterdam
Fadumo Alimaad, Somalia Farhia Tato, Toronto, Canada
Faris Cuchi Gezahegn Addis Ababa, Ethiopia, Nairobi, Kenya and Vienna, Austria
farxiye, Toronto Fatima Jamal, London
Fêibriss Ametista, Salvador, BA, Brasil Francis, Berlin
free Pierre, Oakland, California Gabrielle
Giovanna Grâce Ndjako, Haarlem
Hafsa Guled, Chicago Hari Ziyad, Los Angeles, CA, USA
Hodan O Hodan Omar Elmi, London UK
Hodan-Ali Farah, Germany Huda Hassan, New York City
Ibrahim Iiman, Riyadh Irene Antonia Diane Reece, Houston, Texas
Isa Johnson, United States Ishmael Reed, Oakland, California
Jared Ball JD, Amsterdam
Jonathan W. Gray, NY, USA Joy James, Turtle Island
Junaica Barbosa, Brasil Khalid Guled, Minneapolis
Klein, Amsterdam Ladan Osman, NYC
Libin Ahmed, Toronto Liv Francis, Los Angeles
Luan Matos Evangelista de Sousa, Salvador Brasil Luiza Ninov, Salvador, Bahia – Brasil
M. Mohamed, Toronto Maaza Mengiste, Berlin
Maboula Soumahoro, Paris Marlena Weheliye, Chicago
Manoel Canário Junior, Salvador ,Brasil Matheus Ferreira Fernandes, São Paulo, Brazil
Mawada Hashim, Dubai Micha Diogo, Santo Amaro, Bahia, Brasil
Michelle Ashley Mini Maxwell, Amsterdam, Netherlands
Miski, Los Angeles, CA Mohamed Samatar, Montréal, QC, Canada
Mounissa Moussa, Odawa (Ottawa) Muna Saleban, London, England
Munera Yusuf, Toronto nafyar, Minneapolis
ndegwa nguru, Nairobi, Kenya Nia Stiggers, New York
Nimo Ali, Brooklyn, New York, USA Nimo H Farah, Minneapolis, Minnesota, USA
Nisrin Omer, Toronto Niury Magarefe, Salvador, Bahia, Brasil
Nuruddin Farrah, Cape Town/Minneapolis Oluwa Seyi, Salvador — Bahia — Brazil
Onírica, Rio de Janeiro Philsan Osman, Belgium
priscillia, south africa Rafael Souza, Rio de Janeiro, Brasi
Raheem, London Rahma Haji, USA
Rinaldo Walcott, Canada Robert Place
Robin D. G. Kelley, Los Angeles Ruha Benjamin
Sabit, Minneapolis Sabrina Warsame, Leeds/London
Sabrine Ingabire, Belgium Saffa Khalil, The Hague
Safia Aidid, Canada Sagal Ali, Mogadishu
saida sheikh ahmed, Brussels Samatar Osman Gurey, London
Samiya Bashir, Harlem, New York City, U.S. Sara Abbas, US
Sara D Omar, London Sara Farah, London
Serubiri Moses, New York Shankaron Hassan, Mni Sota Makoce
Shaolin Middleton Sharon Chigozie Ubani, Rotterdam
Sheeko Ismail, Germany Som•m•e Of Us, Brussels, Belgium
somali vendetta Sufjan Bile, London
Sydney Smith, Salvador, Bahia Tauã Reis, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil
Taye Naizghi, Berlin Tayo Alemi aka Authentically Plastic, London
TheWorldofAmran, London TrueNomad, Vancouver
Ubah Cristina Ali Farah, Belgium Uman, New York
walaal/geeddow Yasmeenah, Brooklyn
Yasmin Dualeh, London Yosan, Providence
zack kourouma, salvador, brazil Zalika U. Ibaorimi
ZamZam Warsame, France Zoé Samudzi
   

 

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